Por João Abdalla
Na Paraíba, onde o sol nasce mais cedo que na maioria dos outros estados do Brasil, há pessoas madrugando para empreender e inovar… Perto de Campina Grande, em Serra Talhada, peguei dona Terezinha de malas prontas para mais uma viagem. E que malas! Enormes, levando peças de
labirinto mostrar em uma grande feira de artesanato. Labirinto, eu não sabia, é uma técnica de bordado sofisticada, de tramas complicadas e vazios, ensinada de mãe para filha e no caso de dona Terezinha, filhos. A confecção de algumas toalhas chega a durar meses.
Pra quem acha que inovação depende de tecnologia é importante dizer que dona Terezinha é inovadora em divulgar seus produtos sem ter internet ou telefone fixo. O celular pega mal, mas quando sai para uma feira, ela procura comunicar a todas as pessoas que compraram suas rendas em anos anteriores. Pergunta sobre novos interessados, vai na base do ‘avise os amigos’. Dessa forma ela já conseguiu expor até na Daslu, em São Paulo. Também não perde uma oportunidade de mandar projetos da associação que preside para aproveitar políticas públicas. Com isso, já conseguiu uma sede e um poço artesiano para a comunidade de sua região.
Chiclete com Banana – Em Alagoa Grande, um enorme pandeiro sobre o portal de entrada da cidade me faz lembrar que ali nasceu Jackson do Pandeiro. Portanto, o lugar tem tradição em inovação: Jackson propôs ao Tio Sam misturar chiclete com banana… A Geângela, dona da Bambino Calçados, entrevistada para falar sobre inovação em financiamento, também tem suingue e jogo de cintura. Ela estabeleceu um bom relacionamento com o banco, procura se informar sobre linhas de crédito para pequena empresa. Dependendo da conjuntura e oportunidades de mercado, ela financia até seu capital de giro. Com planejamento, já abriu a terceira loja na cidade.
Retalhos do Cariri - O Vale do Cariri paraibano é fascinante. Em Monteiro, durante um trabalho para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ouvi a expressão linda “os açudes estão sangrando”, numa referência ao bom regime de chuvas daquele ano. Desta vez, minha referência do vale do Cariri foi uma loja com cara de boutique. Nela são vendidos os produtos da Cooperativa de Artesãos do Vale do Cariri. O projeto é um modelo de negócio criado em torno de valores como cultura, artesanato, design e beleza. A Cooperatia reúne artesãos de quatro regiões do Cariri, cada uma contribuindo com a especificidade de seu produto (pedras, rendas, trançados, etc) para fazer bolsas, sapatos, tapetes e biojóias com padrão de grife. Existe inovação em produção, comercialização no ponto de venda, divulgação e multiplicação do negócio.
Uniformidades e Conformidades - João Pessoa tem uma cultura empreendedora na indústria bem desenvolvida. Foi o que eu pensei depois de conhecer a Vestir Uniformes. Seus donos, um dentista e um administrador, seguem naturalmente seu plano de negócios, que traz muitos aspectos inovadores. Eles registram todos os seus processos, pesquisam materiais, participam de licitações públicas para fornecer uniformes para empresas como Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Correios, conhecem a legislação para a micro e pequena empresa. Sabem utilizar com atitudes socialmente corretas a terceirização de mão de obra. A Vestir me mostrou que inovação em processos e gestão moderna não depende de região geográfica. É uma empresa modelo.
Kenga, a coisa é doce - Imagine a cena: numa recepção oficial do Governo do Estado da Paraíba, o maitrê anuncia a sobremesa: “cocada na kenga”… Kenga é a metade de uma casca de coco pequeno que pode vir recheada com 18 tipos diferentes de cocada: normal, coco queimado, chocolate, maracujá, ervas e mais um monte, todas boas.
A inovação na embalagem que tornou as doceiras de Lucena, cidade a uma travessia de balsa de João Pessoa, surgiu de um desafio: acabar com a história de que as iniciativas nas comunidades de baixa renda da cidade não davam certo. Uma lenda urbana que começou a ser quebrada quando uma paulista de São José dos Campos reuniu as mulheres da região para criar alguma atividade para gerar renda. Até a receita foi modificada para economizar açúcar, já que os recursos eram poucos… Mas vender cocada a 10 centavos na praia não parecia muito promissor para quem queria dar certo. Até o dia em que resolveram criar uma nova embalagem, colocando a cocada na kenga do coco. O nome foi assumido, na certeza de que a dubiedade do nome iria atrair a atenção do público. Não deu outra… A cocada na kenga foi parar em recepções oficias e bufês do Rio de Janeiro.
SEBRAE PB - Meus agradecimentos à Maria José que mandou minha conterrânea Mariana, paulista de Ribeirão Preto, me acompanhar e ajudar e garantiu o transporte nas viagens. A presença do pessoal do SEBRAE nos deslocamentos é sempre uma oportunidade para aprender mais as coisas e as ações em cada região.
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edson ribeiro 30 de janeiro
BOA TARDE !
ESTOU PROCURANDO
CONFECÇÃO LABIRINTO
PODE ME INDICAR
EDSON RIBEIRO
82 33270977
Prezado Edson,
Não temos os contatos da Confecção Labirinto! Sugiro que faça uma pesquisa na internet.
Boa sorte!
Fernanda Peregrino
Editora do blog
Fernanda Peregrino 31 de janeiro
michel henrique rocha da costa 16 de junho
olá,amigos do sebrae meu nome é michel e ultimamente estou desempregado,minha mae faz crocher e eu queria pergunta pra voces se nao tem uma forma dela divulgar o seu produto,espero resposta e obligado.
Oi, Michel.
Parabéns pela vontade empreendedora. O Sebrae tem experiência em ajudar artesãos a divulgar e vender o seu trabalho. Saiba mais sobre a ajuda que a entidade dá a artesãos: http://www.sebrae.com.br/setor/artesanato. Sugiro que procure a unidade do Sebrae mais próxima da sua casa, lá você e sua mãe serão orientados como produzir artesanatos que conquistarão compradores e onde vendê-los. Em Campina Grande, o Sebrae fica na Av. Consul Joseph Noujaim Habib Catolé CEP: 58104-555. Telefone: (83) 2101 0100
Boa sorte!
Fernanda Peregrino
Editora do blog
Fernanda Peregrino 16 de junho