De http://pegntv.globo.com

biojoiasSementes de frutas são as principais matérias-primas usadas por um grupo de artesãs em Rondônia, para a produção de joias. Tudo é misturado com ouro e prata e as biojoias da Região Amazônica já conquistam até o mercado europeu.

Açaí, tucumã, babaçu. São com estas sementes que uma cooperativa de Porto Velho produz joias.

São 20 famílias que se dedicam à colheita de sementes na vila de São Sebastião. E com o apoio do Sebrae, cada caroço vai se transformar numa biojoia.

A cooperativa definiu preços justos pelo trabalho e determinou que a colheita seja feita de maneira sustentável, sem agredir a natureza. São usadas apenas frutas que estão maduras, prontas para o consumo, ou que já caíram da árvore.

“Vira dinheiro. Recicla tudo, as sementes, as cascas de árvores. Tudo o que vem da natureza é aproveitado para o artesanato. Sempre com a preocupação de preservar a natureza e não destruir”, conta a moradora da ilha Maria Ramos.

São 53 artesãos. A maior parte trabalha em uma oficina. Eles foram capacitados pelo Sebrae, fizeram curso de design e acabamento.

“Faltava era só a união, a capacitação e a formação que o Sebrae nos forneceu. E agora o mercado vai dar sustentabilidade e fortalecer todo artesão que faz parte da cadeia”, diz a presidente da cooperativa Maria Dalvani de Souza.

O grupo reúne novos artesãos e também profissionais experientes, que já produziam artesanato, mas apostaram no trabalho.

“Há 20 anos eu sou artesã. Quando eu descobri a cooperativa, eu achei muito interessante por causa da união. Gente unida faz mais e melhor, e coisas mais bonitas”, conta a artesã Eliana Di Cazttro.

Os artesãos produzem brincos, colares, anéis. Com uma imensa variedade de modelos, eles têm uma loja própria em Porto Velho. As biojoias também são vendidas em lojas de bijuterias de São Paulo, Bahia e Pernambuco. O faturamento mensal de R$ 40 mil é dividido entre os artesãos de acordo com a produção.

A cooperativa calcula que seria capaz de produzir até 50 mil biojoias por mês. No momento, faz só três mil porque faltam clientes. Para conquistar o mercado, chegar as principais joalherias do país, os artesãos começam a misturar as sementes com materiais bem mais valiosos como ouro e prata.

Um ourives fez uma parceria com a cooperativa. João da Rosa já capacitou 30 artesãos.

“Agregando esses valores, eles poderão sim ganhar mais dinheiro”, acredita João.

O artesanato tornou a vida de algumas mulheres mais fácil. Com ouro e prata, as biojoias custam até 20 vezes mais. Marina Soares não revela quanto ganha. Diz que é para evitar olho gordo. Mas o dinheiro já sustenta a família.

“Nós temos três filhos e temos uma renda muito boa vinda do artesanato”, conta ela.

Novas misturas são criadas todo dia. As mais bonitas são aprovadas e produzidas quase em série. Quase, porque com as sementes nunca uma biojoia fica igual a outra. As artesãs se esforçam para superar a inexperiência.

“É difícil na hora de fazer a solda. Porque quando a gente não tem muita prática a solda desmancha e tem que voltar o processo todinho, desde o começo”, explica a artesã Dolores Azevedo.

As biojoias com ouro e prata ganham mercado. Algumas peças foram vendidas para o Japão, França e Portugal. Uma joalheria da Itália pediu cem unidades. O Sebrae produziu um catálogo com fotos, medidas e referências dos produtos. O livro foi enviado para o mundo inteiro e dá mais segurança aos clientes na hora de fechar uma compra.

“Ele sabe que aquele grupo tem capacidade de produzir. Não é fazer um pedido e correr o risco de o artesão não atender esse pedido. Agora ele sabe que a pessoa faz parte de uma associação e tem um apoio desta associação”, afirma Glenny Paes Salles, do Sebrae de Rondônia.

O trabalho do Sebrae profissionalizou o grupo e hoje as artesãs tem orgulho da profissão que escolheram.

“A gente sabe que está fazendo o desenvolvimento sustentável local, a gente sabe que está mantendo a Amazônia em pé e estamos trazendo uma renda para a nossa família e levando o nome do nosso estado e da Amazônia para fora do Brasil”, orgulha-se Maria de Souza.

Para saber mais sobre o apoio do Sebrae à produção de biojoias, clique aqui.

Assista à reportagem!

Popularity: 4% [?]