logo_saiba_mais_menor7O artesão é muitas vezes visto como alguém que usa sua vocação apenas para garantir o sustento da família, e não como empreendedor com potencial de fechar bons negócios. Muitas vezes esse preconceito parte do próprio artista, que não encontra uma maneira de dar visibilidade ao seu trabalho e de disponibilizar seus objetos de arte ao grande público. O artesanato é um produto altamente valorizado porque agrega identidade regional e por ser feito de forma manual. Os consumidores acreditam que uma peça de decoração artesanal torna o ambiente interessante, aconchegante e até exótico. Essas mercadorias, fruto da criatividade e do talento dos brasileiros, não devem ficar restritas a feiras e pequenas comunidades.

Inovação é uma palavra que precisa estar sempre presente no vocabulário e nas metas do profissional que trabalha com artesanato. A artesã Kelly Carvalho se deu conta disso bem cedo, aos 16 anos. A moradora de Rio Branco foi a personagem principal do programa de rádio do SEBRAE  `A gente sabe, a gente faz’. Kelly criava cestos e outros objetos com palha, fibra e talo de buriti. Ela percebeu que precisava inovar na produção ao ouvir um programa parecido com o que você ouviu hoje. A jovem passou a frequentar a clínica de design do Sebrae do Acre e feiras promovidas pela instituição. Como resultado, Kelly criou uma linha completa de biojoias e tornou-se uma verdadeira empreendedora.

Kelly viu no artesanato uma carreira a ser trilhada, uma forma de ganhar dinheiro sem deixar de lado a sutileza, a elegância e a delicadeza das peças artesanais. Esse caminho também pode ser percorrido por você, empreendedor, que vive das artes e não deseja se acomodar. O Sebrae oferece atendimento individual e coletivo aos artesãos. Para casos específicos, procure o balcão do Sebrae da sua cidade e peça o auxílio de um consultor. Para municípios com grande número de artistas do mesmo ramo, o Sebrae promove programas coletivos de atendimento, em parceria com instituições públicas e privadas. O objetivo é atingir metas concretas, com aumento real de faturamento.

Como um artesão pode inovar
A primeira forma de inovar em produto artesanal é criar novas peças que façam aumentar os lucros do negócio. Foi isso que Kelly fez: passou da produção de artigos menos visados pelo mercado (cestos de palha) para a criação de biojóias, que possuem mais apelo comercial.  Você também pode melhorar os objetos de arte que já produz. Nesse caso, a consultoria tecnológica do Sebrae e o Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT) podem lhe ajudar. O consultor vai analisar se sua matéria prima é de boa qualidade e se o método de produção usado no seu ateliê pode ser aprimorado. Para dúvidas mais simples, o artesão pode consultar o site www.sbrt.ibict.br. A página está repleta de perguntas já respondidas sobre processos produtivos na área de artesanato.

O empreendedor que trabalha com arte pode inovar no design da sua peça. Cores da moda e contornos modernos podem agregar valor ao artigo de artesanato. Em alguns setores, como o de cerâmica, há muito o que aprimorar na questão da embalagem.  O material que embala o objeto de arte é um fator determinante para o consumidor que quer oferecer um presente. O artesão também pode inovar no processo produtivo. Quem trabalha com fibras, por exemplo, tem a opção de secar o material em estufas, em vez de deixá-lo em ambiente aberto. Assim, a secagem é feita em condições ideais de temperatura e umidade.

Para quem cria objetos feitos de pedra sabão, a utilização de máscaras e luvas é imprescindível para preservar as vias aéreas do pó que é solto durante a produção. É fundamental adquirir cadeiras ergonômicas, de modo que o artista se posicione de maneira confortável e não tenha a saúde prejudicada durante o trabalho. As bordadeiras que não trabalham na posição correta podem sofrer de fortes dores nas costas. Há também várias formas de melhorar o ambiente de trabalho, como comprar ferramentas mais adequadas e intensificar a iluminação.

A criação de uma marca de indicação geográfica também pode aumentar o faturamento dos artesãos. Esse tipo de símbolo identifica produtos típicos de uma determinada comunidade. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) geralmente confere a indicação geográfica a produtos alimentícios. O Sebrae possui projetos pilotos em cidades de pelo menos cinco estados brasileiros para a criação desse tipo de identificação visual em artesanato.

O município Pedro II, localizado no Piauí, é um importante fornecedor de opala, pedra usada na fabricação de jóias. A idéia de obter uma marca de indicação geográfica já está sendo posta em prática na cidade, onde o projeto envolve mais de 500 pessoas, entre garimpeiros, joalheiros, lapidários e empresários. Antes do programa, o município produzia cerca de 60 kg de jóias por ano. Atualmente, a produção anual chega a 250 kg.

Ao unir-se para comprar matéria prima e pagar pelo frete coletivamente, há uma significativa redução de custos. Associações de fabricantes de artesanato conseguem alcançar objetivos ainda mais ambiciosos. Produtores de cerâmica do Mato Grosso e a cooperativa Mão Gaúcha, por exemplo, vendem suas peças de decoração para grandes lojas de artigos para casa, a exemplo da Tok Stock. Isso prova o grande alcance que produtos artesanais têm no mercado. A empresária Kelly Carvalho, personagem do programa de rádio de hoje, também inovou em marketing ao disponibilizar biojóias para venda em sites como o Mercado Livre e Toda Oferta.

O artesão pode tornar-se um empreendedor bem sucedido. Além de usar a criatividade para produzir belas peças de decoração, você pode usar esse dom especial com o objetivo de profissionalizar seu ateliê e tornar seu trabalho mais rentável. Mostre ao mercado que seu talento não se restringe à cerâmica, às tintas, ao manuseio de palha e sementes. Prove sua vocação para a arte dos negócios e aposte na inovação.

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