Arranjo Produtivo Local (APL) significa um aglomerado de empresas de um mesmo território e segmento econômico que se juntam para aumentar a escala de produção e melhorar a tecnologia. Os participantes do APL interagem entre si a fim de aprimorar os processos produtivos e conquistar mais clientes. A criação de um Arranjo Produtivo Local é uma ótima maneira de dar aos pequenos negócios a chance de crescer e tornar-se competitivos. O programa de rádio da Rede de Conhecimento Faça Diferente, criada pelo Sebrae, trouxe hoje o caso de empresários que extraem, beneficiam e vendem rochas ornamentais para a construção civil no estado do Rio de Janeiro. Os empreendedores se organizaram em um APL para vender o pó gerado na operação de serrar pedras para uma fábrica de argamassa da região.
O sistema permite o reaproveitamento de cerca de 1.800 toneladas por mês do pó. O acordo é, portanto, um bom negócio para a indústria de argamassa, que passa a economizar em insumos, e também para os produtores de rochas ornamentais, que conquistaram um fiel comprador do material que seria descartado durante o processo produtivo. Dessa forma, os donos das pequenas empresas atingem dois tipos de mercado (o das rochas propriamente dito e o de argamassas), elevando o faturamento, diminuindo o risco do empreendimento não dar certo e dando bom destino ao pó cujo descarte poderia ser difÃcil.
Os empresários que participam de Arranjos Produtivos Locais gozam de inúmeras vantagens. É possÃvel, por exemplo, comprar matéria prima mais barata, tendo em vista que a aquisição é feita coletivamente e, quanto maior a quantidade de material encomendado, menor o preço. Os empreendedores também desfrutam do benefÃcio de atender pedidos em larga escala porque o trabalho é dividido entre os participantes do APL. Outro ganho refere-se aos compradores, que preferem adquirir produtos de associações ou cooperativa de produtores, que já conquistaram a confiança do mercado.
Os Arranjos Produtivos Locais podem surgir como conseqüência de polÃticas públicas, ou seja, a partir da ação de agências de desenvolvimento, como é o caso do Sebrae e de alguns órgãos governamentais. Outros APLs são criados pelos próprios empresários, que constatam os benefÃcios desse tipo de organização e a necessidade de se associar para dividir custos e sobreviver no mercado. Recomenda-se que os empreendedores busquem o apoio de órgãos públicos, mesmo que a iniciativa de criação do APL não tenha sido originada no governo.
Surgimento e caracterÃsticas dos APLs
O estudo das economias de aglomeração data do final do século XIX e inÃcio do século XX. Esse tipo de organização refere-se ao agrupamento de empresários que buscavam a redução de custos. Uma das formas de aplicar a ideia de economia de aglomeração consiste na formação de uma cadeia produtiva, em que cada empresa é responsável por uma etapa de fabricação do produto (ex: uma montadora de automóveis que se alia a fábricas de autopeças). Já o Arranjo Produtivo Local é caracterizado pela cooperação entre empreendedores que fabricam o mesmo tipo de produto e não mercadorias complementares, a exemplo dos produtores de rochas ornamentais destacados no programa de rádio do Sebrae.
Os Arranjos Produtivos Locais podem ser compostos apenas por pequenos negócios, que atendem, igualmente, a demanda por produtos. O modelo mais tradicional de APL, no entanto, é aquele formado a partir de uma empresa lÃder. No setor de confecções, por exemplo, é muito comum encontrar uma fábrica que cria o design a ser seguido por várias confecções menores. Esses pequenos empreendimentos recebem uma parte da matéria prima para executar determinada tarefa, que pode ser algum tipo de montagem ou de costura. Em seguida, esses fabricantes devolvem o material ao dono da empresa lÃder, responsável por finalizar o processo produtivo.
Apesar da maioria dos APLs estar concentrada no setor industrial, o comércio também abriga esse tipo de aglomerado de empresas. Proprietários de restaurantes, por exemplo, podem criar um território gastronômico comum e fazer propaganda da empreitada de forma conjunta. O fato de serem concorrentes não impede que eles cooperem entre si para aquecer o mercado e aumentar as vendas do grupo. O trabalho de marketing transformará o bairro onde os restaurantes estão localizados em um ponto de encontro dos clientes que não perdem tempo procurando um restaurante e preferem ir ao local onde é certo que encontrarão um bom estabelecimento.
O sucesso do APL depende da criação, por parte dos empresários participantes, de um plano de ação que contenha as estratégias para tornar as empresas competitivas. O arranjo deve ser um ambiente favorável à cooperação e concorrência. É preciso, ainda, elaborar mecanismo de controle de resultados. Dessa forma, os empreendedores podem verificar se o APL está cumprindo os objetivos determinados pelo grupo.
Seja no setor comercial, industrial ou agrÃcola, a criação de Arranjos Produtivos Locais transforma a economia de uma região, um bairro e até uma rua. Se o preço da matéria prima está alto porque você compra o material em baixa quantidade ou se sua fábrica não consegue atender à demanda dos clientes, converse com seus concorrentes que estão na mesma situação e inovem juntos. Quem sabe a cooperação não é a solução dos seus problemas? Pense nisso e procure o escritório do Sebrae mais próximo, onde consultores estarão disponÃveis para tirar dúvidas sobre o assunto e, inclusive, ajudar na formação de APLs.
Saiba Mais
Arranjos Produtivos Locais geram ambientes inovativos
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