Algumas micro e pequenas empresas enfrentam dificuldades para conquistar a estabilidade financeira e o capital de giro. O dono de uma empresa de parafusos e ferramentas para o setor industrial em Atibaia (SP) pediu dicas para ter mais estabilidade no negócio. O comércio emprega três funcionários e está há seis anos no mercado.

“Apesar de contar com uma boa carteira de clientes e o estoque de parafusos sempre ampliando, não consegui ter estabilidade financeira e muito menos estabelecer um capital de giro. Pelo perfil desta cidade, a minha duvida é se eu deveria investir em variedades no meu comercio sacrificando um pouco o atendimento ao setor industrial?”, pergunta o empresário, chamado Alexandre.

Leia à reposta do blog Faça Diferente:

1. Controle financeiro

A estabilidade financeira e o estabelecimento de um capital de giro estão ligados ao controle financeiro da empresa, de seu fluxo de entrada e saída, e não obrigatoriamente a questões de mercado. Se você não tiver pleno controle sobre suas operações de compra e venda, de nada adianta vender mais, pois continuará acontecendo a mesma coisa.

Veja, você mesmo afirma que possui uma boa carteira de clientes e não tem conseguido a tão desejada estabilidade e o capital de giro necessário nesses seis anos. O problema provavelmente esta no seu controle financeiro de fluxo de caixa.

2. Estoque x variedade

Outra afirmação sua que deve ser analisada é a questão do estoque estar sempre aumentando. Esse aumento pode ser na quantidade como na variedade, e aí é necessário que você avalie as seguintes situações:

- Será que você não esta imobilizando em excesso seu capital na formação de estoques e isso o tem deixado sem giro?

Em época de baixa inflação, a mobilização em estoque não é vantajosa, pois comprar hoje como daqui a um mês não fará grande diferença e você não precisa investir. É preciso somente um estoque mínimo que permita fazer o atendimento aos clientes durante o tempo necessário para o fornecedor entregar um novo lote.

Para aumentar o estoque em variedades, antes, é preciso analisar qual a margem de contribuição dessas novas variedades no seu faturamento. É necessário fazer uma avaliação dos tipos de parafusos e ferragens que mais me dão retorno e tem mais saída. Com isso, você poderá direcionar seus investimentos em produtos cujo giro de estoque é rápido, fazendo assim dinheiro também de forma mais acelerada e evitando a imobilização de capital.

3. Diversificar os lucros

Quanto a investir em mais variedade no seu comercio, é necessário fazer uma análise do segmento que você quer entrar e verificar se é potencial, se esta em crescimento e, principalmente, que novos concorrentes você terá que enfrentar para conquistar uma fatia desse novo mercado. Pode ser mais uma alternativa de ampliar suas vendas, se o cenário local se mostrar favorável, mas isso não significa que irá resolver seu problema atual. Se não tiver os controles bem definidos, nada acontecerá de diferente.

Talvez não valha a pena sacrificar seu segmento industrial. Segundo notícias de sua prefeitura, a cidade tem feito grandes esforços para atrair empresas para a região através de incentivos e formação de condomínio industrial. Tomando essas informações como base, você deveria pensar em como ampliar suas vendas no segmento industrial, atuando na região como um todo e não só localmente.

4. Capital de giro

As dificuldades de capital de giro numa empresa são devidas, principalmente, à ocorrência dos seguintes fatores:

- Redução de vendas;

- Crescimento da inadimplência;

- Aumento das despesas financeiras;

- Aumento de custos;

- Alguma combinação dos quatro fatores anteriores.

A seguir apresentamos algumas alternativas de solução para equilíbrio do capital de giro.

a. Formação de reserva financeira: Como acontece no trato de muitos outros problemas, a ação preventiva tem um papel importante para a solução dos problemas de capital de giro. A principal ação consiste na formação de reserva financeira para enfrentar as mudanças inesperadas no quadro financeiro da empresa.

A determinação do volume dessa reserva financeira levará em conta o grau de proteção que se deseja para o capital de giro. Também uma análise do tipo “o que aconteceria ao capital de giro se” poderia ser bastante útil para estimar o volume da reserva financeira.

À primeira vista, poderia soar antieconômica a formação de uma reserva financeira, já que esta decisão tiraria recursos financeiros que de outra forma deveriam ser aplicados em ativos fixos a fim de permitir a expansão da empresa. Mas, dada a volatilidade da economia, a formação de reserva financeira para o capital de giro deveria ser a prioridade econômica fundamental da empresa. Além disso, os recursos destinados e essa reserva seriam aplicados no mercado financeiro, onde as taxas de juros têm sido maiores do que a taxa de rentabilidade do capital fixo.

b. Encurtamento do ciclo econômico:
quando a empresa encurta seu ciclo econômico – este pode ser definido como o tempo necessário para a transformação dos insumos adquiridos em produtos ou serviços -, suas necessidades de capital de giro se reduzem drasticamente. No comércio, esta redução significa um giro mais rápido dos estoques. É necessário que analise se não está imobilizando todo seu capital em estoque. A redução do ciclo econômico não é uma função tipicamente financeira. Ela requer o apoio de funções como produção, operação, vendas e logística.

c. Controle da inadimplência:
a inadimplência dos clientes de uma empresa pode decorrer do quadro econômico geral do país ou de fatores no âmbito da própria empresa. No primeiro caso, a contração geral da atividade econômica e a consequente diminuição da renda das pessoas, tende a aumentar a inadimplência. Nesta situação, a empresa tem pouco controle sobre o problema.

Quando a inadimplência é decorrente de práticas de crédito inadequadas estabelecidas pela própria empresa, existe uma solução viável para o problema. Neste caso, é preciso dar mais atenção à qualidade das vendas (tanto vendas à crédito como vendas faturadas) do que ao volume dessas vendas. No caso das vendas á crédito, também será recomendável uma redução do prazo de pagamento concedido aos clientes.

d. Alongar os prazos de pagamento:
quando a empresa consegue negociar um prazo maior para o pagamento de suas dívidas, ela adia as saídas de caixa correspondentes e, portanto, melhora seu capital de giro. Embora essa melhora seja provisória, ajudará bastante até que a empresa se ajuste financeiramente. Também neste caso, é importante uma atenção especial para o custo do alongamento de prazo. Ele precisa ser suportado pela rentabilidade da empresa.

e. Reduzir custos: a implantação de um programa de redução de custos tem um efeito positivo sobre o capital de giro da empresa desde que não traga restrições às suas vendas ou à execução de suas operações. Diante de uma crise de capital de giro, o programa de redução de custos tem natureza compulsória e seu grande desafio é identificar aqueles itens de gastos que possam ser cortados sem grandes prejuízos para as atividades da empresa.

Dificilmente serão encontrados gastos supérfluos ou desperdícios, pois a crise de capital de giro naturalmente já os devem ter eliminado. Faça uma análise profunda de sua empresa, pois na maioria das vezes o dinheiro que procura esta dentro dela só que mal administrado.

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