O Cláudio Salgado tem uma autorizada de produtos da linha branca, que são eletrodomésticos. O negócio tem sete anos e enfrenta dificuldades. “Nesse período, como não sabia administrar bem, adquiri dívidas que estou tentando quitar. Já pensei em vender tudo, pois já me ofereceram um bom dinheiro pelo meu negócio. Mas, eu perderia as representações que tenho e todos os clientes cadastrados. Eu queria uma opinião do Sebrae para tomar a decisão certa!”
O Sebrae orientou o Cláudio. Confira:
1. Levantamento
Sem dúvida é uma decisão difícil de tomar, e nesse caso precisamos ser totalmente racionais e sinceros. Para isso, faça seguinte:
a. Faça um levantamento das dívidas vencidas e a vencer;
b. Faça um levantamento de sua capacidade de pagamento dessas dívidas, ou seja, verifique quanto do faturamento poderá ser destinado ao pagamento desses compromissos atrasados, sempre garantindo o valor necessário para o pagamento de outras contas assumidas.
Lembre-se que você não pode ficar sem nenhum recurso para girar a empresa e nem sem sua retirada mínima para sobreviver. O que você com certeza terá que fazer é cortar todo supérfluo, fazer economia mesmo.
2. Renegociação
Já sabendo sua capacidade de pagamento, inicie a negociação com seus credores e faça sua proposta de quitação, dentro do limite que você sabe que terá capacidade para honrar com seus compromissos. Nesse momento, você tem que ser sincero com o credor e dizer a ele que a sua proposta representa sua capacidade máxima de pagamento e que qualquer coisa acima disso você não poderá garantir a quitação do acordo. Cuidado com a negociação, procure escalonar sua dívida com maior prazo e com o mínimo de juros possível ou, se conseguir, sem nenhum juro.
Caso não consiga essa negociação direta com os credores, outra coisa é um empréstimo bancário a longo prazo capaz de quitar suas dívidas. É lógico que com uma prestação que caiba em seu bolso e a menor taxa de juros que você encontrar. Com certeza você pagará mais do que na negociação direta com os credores, porém você pode conseguir prazos mais elásticos.
Em último caso, quando fracassadas todas as tentativas de negociação e verificar que não tem como sair desse buraco, você poderá pensar em buscar um sócio que acredite que sua empresa pode vir a ser lucrativa ou até mesmo vende-la.
4. Recomeço
É infundada a sua preocupação com vender a empresa e perder seus clientes cadastrados. Quando se vende uma empresa, não se vende os clientes, pois cabe a eles a escolha de seu prestador de serviço!
Se tiver prestado um bom serviço e mantido um bom relacionamento com seus clientes, a probabilidade deles te seguirem é muito grande. Basta dizer que esta abrindo uma nova empresa e que prestará os mesmos serviços. Isso se chama fidelização do cliente e livre concorrência.
Quanto a perder suas representações, isso é outra coisa que também pode ser revertida. Em sua nova empresa, firmará contratos com essas representações.
Agora cuidado com o contrato de venda da empresa: cláusulas impeditivas poderão lhe prejudicar futuramente. Nesse caso consulte um advogado para melhor orientá-lo.
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